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Novo tratamento de Carcaça Bovina com cisticercose é pauta de reunião no CRMV-MS

Categoria: Alimentos, Bem-Estar Animal, CRMV-MS, Destaques, Fiscalização, legislações, MAPA, médicos veterinários, Notícias, Saúde Única, zootecnistas | Publicado em: 12/02/2021

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS) realizou uma reunião na tarde de quinta-feira (11) onde foi discutida a mudança no RIISPOA sobre a indicação de tratamento térmico nas carcaças com infecção por cisticercose, uma vez que a alteração ainda que bem intencionada pode produzir efeito contrário a médio e longo prazo.

As mudanças que foram estabelecidas pelo Decreto do Governo Federal n. 10.468 de 18 de agosto de 2020, que trouxe alterações significantes frente ao Decreto 9.013 de 23 de março de 2017, o qual regulamenta a Lei nº 1.283, de 18 de dezembro de 1950, e a Lei nº 7.889, de 23 de novembro de 1989, que dispõem sobre a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal – RIISPOA.

Constata-se uma nova dinâmica adotada no julgamento de carcaça de bovinos acometidos por cisticercose, além de suas implicações na qualidade da carne. Isto posto, verificou-se perdas no setor produtivo e possibilidade de aumento de risco à saúde coletiva, uma vez que as mudanças produzidas pela atual normativa, impactará a forma de enfrentamento à cisticercose bovina.

Sendo assim, esse novo decreto poderá estimular a descontinuidade de tratamento de vermifugação do rebanho, pois será indiferente para a indústria se o cisto foi tratado ou não, que todavia, imporá maior responsabilidade na inspeção, o que a longo prazo, gerará um aumento na incidência de cisticercose bovina, expondo a risco a saúde humana com maior probabilidade de neurocisticercose, entre outras patologias igualmente importantes para a saúde humana, que tem igual origem zoonótica, haja vista que a origem da causa não tem recebido a devida atenção das autoridades de saúde.

SAÚDE ÚNICA – outro ponto que deve ser levado na gestão da produção de alimentos podem produzir efeitos prejudiciais, ora ao meio ambiente e à saúde humana, restando evidenciado que todas as políticas estão conectadas e são interdependentes, não podendo ser tratadas de forma isolada.

Após a ampla discussão com representantes de várias instituições envolvidas com o manejo, produção e comercialização da carne de Mato Grosso do Sul, bem como com especialistas em parasitose animal, fica clara a necessidade de avaliar a revogação do §2° do artigo 185 do Decreto 9.013/2017, alterado pelo Decreto 10.468/2020, uma vez que não resolve o problema da cisticercose no Brasil, podendo inclusive agravar a situação a longo prazo.

Para o presidente do CRMV-MS, Rodrigo Piva, a discussão é ampla e deve contemplar ações de múltiplas instituições com atuação conjunta do setor de saúde e produção, “devemos estimular a prevenção e tratamento da cisticercose, como estratégia de saúde pública com foco na saúde única, sem descontinuar ou enfraquecer o manejo eficaz no seu controle” pontuou.

Para a diretora executiva da CODEVALE, Danielle Cristina Cabriotti a alteração do artigo 185 trouxe grandes impactos para o produtor, para indústria e para a saúde pública, porém a médio prazo não resolverá o problema da cisticercose no Brasil uma vez que a ação adotada não combate à doença na origem. “Estamos preocupados com o efetivo do controle da cisticercose, por isso, essa deve ser uma ação de SAÚDE ÚNICA, envolvendo o tratamento do homem, controle do ambiente e tratamento do animal”

Participaram: Professor Welber Daniel Zanetti Lopes (UFG), Professor Fernando de Almeida Borges (UFMS), Danielle Cristina Cabriotti (CODEVALE), Thiago Morente (CODEVALE), Marcia Maria A. Rabelo (IAGRO), Gelson Sandoval (IAGRO), Renata Campozam (IAGRO), Daniel Ingold (IAGRO), João Batista Matos da Silva (MAPA), Pedro Paulo  Pires (EMBRAPA), Paulo Cançado (EMBRAPA), Flábio Ribeiro de Araújo (EMBRAPA), Gélson Feijó (EMBRAPA) e Fábio Matsubara (SICADEMS).

Dessa reunião será feito um documento que posteriormente será entregue à Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, pois além dos produtores do MS, outros todos os estados estão sofrendo as mesmas sanções no descarte de carcaças bovinas.


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